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90 segundos: Brasil 2016. Impeachment – tese, antítese e síntese.

Síntise do caos

(Publicado originalmente em 15.04.2016, muito antes das delações JBS e tudo o que seguiu e segue desde então)

Em abril de 2016 o Brasil se polariza pelo impeachment. A tese é que um lado está correto, e a antítese é o outro lado estar errado. Todos, sem exceção, concebendo uma noção própria de certo e errado.

Tese e antítese são valores opostos que se fundem criando uma coisa só. Essa é a síntese.

Sem juízo de valor sobre as teses e antíteses, a síntese é o resultado; é o que nós, como sociedade, somos de fato. Na crise política que ocorre, observando a gigantesca amplitude da síntese, perceba as causas e não somente as consequências.

Tudo que acontece em cima é, por simetria, similar ao que acontece embaixo. Sob essa perspectiva a falência da política é consequência da falência de nós convivendo em sociedade.

A troca de presidente não muda o fato de que em nossas cidades  nós vivemos como selvagens escondidos atrás de muros e grades. Dos dois lados do muro as pessoas se observam. E, entre os injustos e os injustiçados, cada um tem sua razão. Tese e antítese.

Agora reflita: um mendigo dormindo no  papelão, até onde é culpa dele e até onde é a nossa?

Sem juízo de valor, o fato é que seja pela esquerda ou direita, todos nós temos uma resposta, uma noção própria do que está certo e errado.

E qual é síntese de nossas respostas? O resultado é uma sociedade dividida pelo ódio.

Considerando tudo isso, PT, PSDB, PMDB, Rede Globo, Dilma, Temer ou Aécio, são apenas uma casca superficial dessa enorme falência, não só dá política, mas do convívio social. Somos nós, não eles, os grandes perdedores. É fácil xingar o presidente. É fácil achar um bode expiatório, o grande culpado por nós, humanos, não vivermos mais no Éden.

Comunismo, capitalismo, fascismo, liberalismo, conservadorismo, progressismo; não faltam ismos para a convivência humana. E a mente, ardil, em sua necessidade de economia de energia, procura a explicação mais simples para todas as dúvidas complexas de meio que ela vive. É por isso que o ismo seduz o homem, reduz o caos social a uma simplificação ideologica. Lógico, a culpa do Brasil ser é precatória émais ou mebos o ismo. Falta esquerda, diz o de esquerda. Falta direita, fiz o direitista.

O aspecto mais extremo dessa falência são as mais de 60 mil mortes violentas no Brasil por ano.

Mas isso não precisa ser sempre assim, existem maneiras para mudarmos. A boa notícia é que as crises (sínteses) são, antes de tudo, oportunidades:

O choque entre teses e antíteses criam sínteses, e essas sínteses serão novas teses com respectivas antíteses e sínteses. E assim continua infinitamente…

A dialética hegeliana, mais do que um conceito filosófico, é a observação de um fato. Segundo seu criador, esse processo é base de formação de toda a história.

Sendo assim, que a crise que nós agora vivemos seja a tese e que a Democracia Direta seja sua antítese (ou, como se diz em direito, uma resposta proporcional ao agravo).

E que a síntese disso seja um Brasil melhor, nós realmente merecemos isso.


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