“Pelo país e feliz aniversário minha neta“, “pela paz em Jerusalém”, “pelo meu pai que completa 100 anos esse ano”
Eis alguns dos motivos citados para os votos do impeachment. Dos 367 votos favoráveis a abertura do processo, apenas 16 citaram o motivo jurídico (pedaladas fiscais) em seus votos. Ou seja, em apenas 4,3% dos votos houve a análise sobre a legalidade do procedimento. Se uma imagem vale por mil palavras, essa é a síntese do “espetáculo” [1]:

“Acho estarrecedor, em um país republicano, que tem princípios de laicidade do Estado, levantar argumentos religiosos e a família. Pouquíssimos levantaram os motivos reais que são julgados no processo. É entristecedor ver a qualidade de argumentos, todos arregimentados para seu entorno, em questões de seu interesse”, disse a professora do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Marlise Matos.
A professora destaca que há uma leitura estranha do que seja o interesse democrático. “Há pessoas caricatas, como [o deputado Jair] Bolsonaro, que não contam. Mas deveria ser pedagógico, fica muito claro que o problema não é a presidenta Dilma Rousseff, o PT. Temos um problema muito mais sério, mais grave. Ficou explícita a falência do sistema representativo brasileiro”, argumentou Marlise.[2]
Há muito o sistema representativo brasileiro faliu e a votação da sessão de abertura do impedimento no dia 17.04.2016 foi o atestado de óbito assinado por um bando de desqualificados. Foi ridículo. Uma lição de história que em tempos de modernidade liquida de internet em breve será esquecida.
Se a Democracia Digital estivesse em pleno funcionamento, os votos dos políticos do partido seriam motivados exclusivamente pela votação eletrônica prévia dos eleitores filiados do partido (nós). Um deputado federal do DD votaria sim ou não conforme os votos do sistema online do partido. O foco da Democracia direta digital não é “o que se vota”, mas sim o “quem vota”. Com o partido é possível que no futuro essas votações sejam motivadas pela única coisa que realmente interessa: o interesse e voto da maioria.
(Publicado originalmente em abril.2016)
[1] Deputado federal Wladimir Costa (SD-PA)
[2] http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2016/04/cientistas-politicos-criticam-argumentos-de-deputados-em-votacao-do-impeachment.html

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