Das duas, somente uma:
Ou cinismo ou ignorância.
Quem é caolho enxerga metade e faz vista grossa ao absurdo.
E então ele se torna o normal.
Não, as instituições não estão funcionando normalmente. Em 2018 o fato do candidato com maior intenção de votos estar preso é paradoxo. O resumo eleitoral em 2018 pode ser reduzido a um axioma:
No voto popular, Lula, se puder ser votado, difícil será batido.
Analisar isso não se trata de “intriga esquerdista”. Aliás, o que deveria ser ponto de reflexão sobre a falência política e social, quando jogado dentro de um espectro maniqueísta – onde um lado tem todos os méritos e o outro os desméritos -,se torna então uma concepção rasa e infantil.
Paradoxos são dois extremos se chocando. É absurdo por intrínseca definição. E é presa a um absurdo que a democracia brasileira está atualmente. Mais uma vez: Lula preso pela justiça, mas provável eleito pelo povo.
O que isso implica? Que ou povo crê na Justiça, ou em Lula. Mas não em ambos ao mesmo tempo.
Esse texto não é suficientemente estúpido para especular quem tem razão. Aliás, o mais provável é que sequer haja uma razão, pois quando vivemos no absurdo não há predomínio de razão.
Historicamente é compreensível vivermos o paradoxo. Choques de classe são previsíveis em uma sociedade iniciada com genocídio índios e com quase 400 anos de escravidão. O Brasil até hoje não superou suas contradições. Ética é requisito básico para haver riqueza.
Progressivamente a força abafa a conversa. O grito, o tapa e o tiro progressivamente sufocam a conversa. E nós nos oferecemos, voluntariamente, em servidão. Dividir para conquistar é algo tão novo quanto Júlio César e o Império Romano. Mas que caímos nós como patinhos…
Estão dizendo que essa eleição de 2018 é decisiva. Mas é o contrário. Ela será irrelevante. Já dizia Mark Twain: se votar fizesse diferença não nos deixariam fazê-lo. Não será trocando figurinhas de um MESMO álbum que mudaremos o cenário.
Errar é humano, insistir no erro é burrice. Insanidade é fazer a mesma coisa, esperando resultados diferentes. E assim que nós sentimos, a cada dois anos, quando temos de votar nas siglas políticas que tanto odiamos.
O Brasil precisa de uma ruptura com a estrutura política vigente, um salto quântico na política. Quando a crise é grande, as possibilidades de sair dela também são enormes: basta o povo ousar.

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