Homeostase: do grego homeo similar ou igual, stasis estático. É a propriedade que um sistema aberto tem de assumir um estado de equilíbrio mediante múltiplos ajustes de equilíbrio dinâmico.
Nosso organismo e vida são homeostáticos. Põe-se alguns cubos de gelo em água gelada e o resultado será água em temperatura fresca. Nosso corpo é homeostático ao não deixar nós oscilarmos entre febres extremas e tremores de frio, mantendo nossa temperatura em torno de 37oC.
Imagine um sistema que tenta manter uma situação de equilíbrio. Por exemplo, uma bola no fundo de uma cavidade[1]:

Se o sistema for homeostático, quanto mais desequilibrado ele estiver, mais intensas serão suas tentativas de reajuste:

Conforme o sistema vai se alternando e se aproximando do estado de equilíbrio, esses ajustes vão progressivamente se tornando mais suaves.

E ao atingir o equilíbrio o sistema para de mudar. Fica estável:

O que acontece agora é a radicalização da política mundialmente. O ódio e o extremismo crescem, e temas como xenofobia e fascismo ressurgem com força na pauta política da Europa; nos EUA Donald Trump; e no Brasil é a gloriosa bancada parlamentar BBB (Boi, bala e bíblia).
A radicalização política é plenamente explicável sob a ótica da homeostase: quanto mais um sistema estiver em desequilíbrio, maior serão a intensidade das tentativas de seu reajuste.
É notória a falência do modelo político atual. Ao ponto do presidente em exercício da Câmara, Rodrigo Maia, dizer:
“Precisamos entender que o sistema político faliu e não representa mais a sociedade”
Cada político vende a seus eleitores a ideia que está do seu lado, que estão lutando por um mundo melhor. Contudo, a mudança não vem. E, frustrado, logo o povo passa a flertar com discursos radicais.
O desequilíbrio no sistema político é consequência que o governo, ou melhor, a democracia representativa, não é capaz de cumprir o seu objetivo fundamental de representar a vontade popular. Vivemos em um mundo sendo devastado por nós mesmos e as pessoas sabem, intuitivamente, que algo precisa mudar. Mas o quê?
Não é necessária a sujeição ao perigoso extremismo para conseguir mudanças. O modelo de funcionamento de uma democracia DIRETA e DIGITAL é uma profunda reforma na representação popular ao transformar os políticos eleitos instrumentos para a manifestação de vontade dos eleitores que votem no sistema online.
Retira-se a discricionariedade do eleito para o P. Legislativo e vincula seus atos as votações online dos filiados, distribuindo assim um poder extremamente concentrado[2]. Não se trata de chegar ao poder, mas de distribuir o poder.
Essa seria uma mudança profunda. É como se no exemplo da bola, ao invés de aplicarmos uma força radical na bola, nós alterássemos a estrutura da cavidade. As sociedades agora são digitais, entretanto a política ainda é feita de maneira analógica. Precisamos mudar.
[1] Piazzi, Pierlugi Inteligência em concursos – 2 ed. – São Paulo: Aleph, 2015.
[2] Em âmbito federal são 594 congressistas representando 200 milhões de brasileiros, ou seja, 0,000297% da população representando os outros 99,999703%.

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