“Eduardo Cunha é um psicopata, um doente” – deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)[1].
Primeiro Eduardo Cunha (PMDB – RJ) negou ter contas no exterior[2]: “Não tenho qualquer tipo de conta em qualquer lugar que não seja a conta que está declarada no meu imposto de renda” – disse Cunha em 12.03.2015 ao ser questionado pelo deputado Delegado Waldir (PSDB-GO) sobre a existência de contas em algum paraíso fiscal. Mas depois veio da Suíça a confirmação que ele tinha por lá contas com saldo de US$5 milhões.
Ele foi denunciado pelo Ministério Público Federal por corrupção e lavagem de dinheiro. Documentos da Suíça revelaram que o esquema de Cunha movimentou R$ 411 milhões[3]. Segundo Ciro Gomes: “Eduardo Cunha distribuiu R$ 350 milhões a picaretas do Congresso”[4]. Os cinco milhões de dólares encontrados eram apenas o saldo das operações.
Num paradoxo moral, um criminoso, que em outro país estaria preso, por aqui é o presidente da Câmara dos Deputados, “a Casa do Povo”, e ainda conduz um processo de julgamento de impedimento. Tudo isso com a conivência do STF[5].
Compartilhando da constatação de Jarbas Vasconcelos, cabe então analisar qual o significado de um “psicopata doente“ prosperar tanto no meio político a ponto de se tornar o presidente da Câmara.
“Na nossa América não existe coincidência, nem acaso na política” diria o escritor argentino Mempo Giardinelli.
O significado da Câmara dos Deputados ser presidida por um psicopata é que a política no Brasil faliu.
Cunha não é um homem que se tornou presidente da Câmara, mas que por mera coincidência é também um psicopata. O meio seleciona o mais apto. A psicopatia de Cunha é condição fundamental – sine qua non –para sua ascensão meteórica no legislativo federal. Em um ambiente tóxico como a política brasileira, características como psicopatia são fatores de força.
Porém há aqui um ponto que demanda uma visão mais ampla. O problema maior não é o pretexto ideológico dos políticos, mas sim uma estrutura (mecanismo) que dá plenas condições para que criminosos prosperem.
Sob essa perspectiva, Eduardo Cunha é um só homem. Ele é um sintoma da doença, mas não a própria doença. Somente sua condenação criminal não basta. É como achar que se pode acabar com o tráfico de drogas eliminando o chefe do morro. O que é necessário é uma reforma profunda na estrutura política para que pessoas assim não prosperem.
Como Cunha disse no seu voto pelo impeachment: “Que Deus tenha misericórdia na nação”. Amém.
(Publicado originalmente em 2016)
[1] http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/eduardo-cunha-e-um-psicopata-um-doente-diz-jarbas-vasconcelos/
[2] http://g1.globo.com/politica/noticia/2015/10/cunha-negou-em-marco-cpi-da-petrobras-ter-contas-no-exterior.html
[3] http://www.em.com.br/app/noticia/politica/2015/10/18/interna_politica,698934/documentos-da-suica-revelam-que-esquema-de-cunha-movimentou-r-411-mil.shtml
[4] http://www.viomundo.com.br/denuncias/ciro-gomes-eduardo-cunha-distribuiu-r-350-milhoes-a-picaretas-do-congresso-dilma-tera-escandalo-2-0-fhc-promove-vendetta-mesquinha.html
[5] http://www1.folha.uol.com.br/poder/2016/04/1762710-teori-diz-que-nao-ha-prazo-para-stf-julgar-pedido-de-cassacao-de-cunha.shtml

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