Canalha. Adjetivo e substantivo de dois gêneros: aquele que é infame, vil, abjeto; velhaco. Enquanto partidos políticos (organizações criminosas) sabotam a sociedade na luta por poder, deixam para nós a conta. E ao povo cabe o jus sperniandi, o direito de choramingar…
Mas até onde a falência política é um problema moral e até onde é estrutural?
Em âmbito federal, o Congresso Nacional conta com 594 superpoderosos – são 513 na Câmara dos Deputados e 81 senadores. São 594 congressistas representando 200 milhões de brasileiros; ou 0,000297% da população representando os outros 99,999703%.
– Você se sente representado?
É um risco imenso e um grave defeito estrutural subordinar o bem estar de mais de 200 milhões ao interesse de menos de 600 parlamentares. A verdade é que o interesse da maioria sempre será subjugado pelo de uma minoria, se a essa estiver subordinada. Sob essa ótica, o pior não são os canalhas, mas sim a estrutura política que permite que os poucos canalhas tenham tanto poder.
Entretanto não há motivos para pessimismo: a crise do velho é a oportunidade do que é novo. É só uma questão de tempo para que a Internet seja utilizada para ampliar a participação política das pessoas. A Democracia Digital é a sistematização disso, não em caráter opinativo, mas sim vinculatório. Cria uma obrigação. A vontade do eleito do partido será a da maioria dos votos do filiados.
“A sociedade é digital, mas a política ainda é analógica“(1) Em plena era da informação nós não precisamos mais dessa falsa representação política; chegou a hora de tomarmos o que é nosso.
– O que é mais fácil de corromper, algumas centenas de políticos ou a vontade de milhões de pessoas?
Esse é o poder de uma Democracia Digital: instrumento para manifestação da vontade popular que distribui para o povo o que sempre foi, por direito, dele próprio. Nada mais justo.

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