- Penúltimo lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) entre os Estados brasileiros.
- Dos 15 municípios brasileiros com as menores rendas, 10 estão no Maranhão.
- Segunda maior taxa de mortalidade infantil do Brasil, de cada 1000 crianças que nascem, morrem 29 com menos de 1 ano.
- 50% dos trabalhadores sem carteira assinada, quase o dobro do índice médio do Brasil (28%).
É impossível dissociar a imagem do Maranhão da dinastia que dominou o Estado por quase 50 anos: Sarney. Esse nome está espalhado por todos os cantos de lá: são 161 escolas, no interior e na capital. Há a maternidade Marly Sarney (mulher dele), o Fórum Desembargador Sarney Costa, a Ponte José Sarney, a Rodoviária Kiola Sarney (mãe dele), a Avenida José Sarney, o Tribunal de Contas Roseana Sarney e o Fórum Trabalhista José Sarney.
No Jornal “O Estado do Maranhão” – propriedade de sua família – José Sarney alegou não ter culpa baixo nível do IDH de seu Estado:
“Espalharam no Brasil inteiro que o Maranhão é o mais atrasado estado do Brasil, de pior qualidade de vida e para isso caem de números falsos.
O IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, criado pelos países ricos para abrir frentes de serviço para os países imperialistas, criado na década de 90, para as multinacionais entrarem para o setor de educação, universidades, como já ocorre no Brasil, fazer gigantescas obras de saneamento, entrar no setor de saúde e etc., estabeleceu que o desenvolvimento de um país se mede por ele, IDH. Sua criação é recente, data de pouco mais de 10 anos.
E o pior, sou eu o responsável pelo IDH há 50 anos, quando ele foi criado há 10 anos. Assim, eu há 50 anos já sabia que ia ser criado esse índice e comecei a persegui-lo para que o Maranhão fosse o pior dele. É séria essa gente?”
(fonte)
Realmente: é sério essa gente?
No final de 2013, sabendo que seus mandos e mandatos de sua família iriam acabar, a filha de Sarney, Roseana, renunciou ao cargo de governadora do Maranhão 20 dias antes do fim de seu mandato, para evitar entregar a faixa a seu sucessor. Esse gesto, amedrontado e deselegante, é sinal de decadência da dinastia do “último dos coronéis”.
Presidente do Brasil, governador e Senador, presidente do Senado por três vezes: a história de José Sarney serve de paradigma para a história política do Brasil, onde o público é subjugado pelo privado e ética é um valor que não se mistura com força política, a não ser que sirva de pretexto para angariar votos.
Mas como a dinastia Sarney se manteve por tanto tempo no poder?
O relacionamento da família Sarney com o governo do Maranhão terminou prestes a completar suas bodas de ouro (1966-2014). Controle de mídia, corrupção, utilização da estrutura pública em benefício próprio, intimidação de adversários políticos, tudo isso são fatores que explicam a perpetuação do poder.
Mas há um fenômeno que merece destaque: a tabela a seguir mostra quanto o Maranhão, estado brasileiro que mais recebe verbas federais, pagou de impostos federais e quanto recebeu do governo federal a título de transferência de recursos (dinheiro destinado ao governo do estado e aos municípios desse estado):

Fonte: Portal da Transparência nos Recursos Públicos Federais
Quando Sarney tomou o poder do Estado, esses repasses ainda eram piores:
– No regime militar era bem pior, o governo federal centralizava quase todo o dinheiro e dizia onde deveria ser gasto. Não à toa os prefeitos e governadores eram nomeados, em vez de eleitos. Assim, ninguém gritava – lembra a cientista política Celina Souza, especialista em federalismo e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
(fonte)
Devido a miséria e insatisfação generalizada, o rei Luis XVI foi guilhotinado na França. Por aqui Sarney recebeu bilhões para fazer o que bem entendesse.
Se o pacto federativo brasileiro garantisse maior autonomia aos Estados e cidades, Sarney jamais teria se mantido tanto tempo no poder. O dinheiro recebido livremente do governo federal foi o que garantiu o êxito do parasitismo político, ao desequilibrar a equação orçamentária do Estado e dando poder bilionário à dinastia Sarney.
A força política de Sarney em um governo federal como o nosso seria sua fraqueza se houvesse maior autonomia dos Estados. Guilhotinado ou não, o povo Maranhão teria acabado com essa dinastia muito antes desses 50 anos, caso não houvesse a possibilidade de manipular essa fortuna em causa própria.
Infelizmente, ao mesmo tempo em que é notório e incontroverso que o Brasil precisa de uma revisão do pacto federativo, a política atual é corrupta e ineficiente para isso. É por isso que a mudança deve ser estrutural e o Democracia Direta é certamente um eficiente meio para isso.

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