Thomas Khun, filósofo da ciência, dizia que a ciência evoluí através de paradigmas. Paradigmas são modelos reconhecidos que fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade científica. É por meio deles que os cientistas buscam respostas para os problemas colocados pelas ciências.
Ciência política é uma ciência, logo tem paradigmas. Democracia representativa é um deles. O povo, incapaz de representar-se diretamente, escolhe seus “representantes”. Mesmo com defeitos, o modelo de democracia representativa é uma evolução em comparação aos modelos que veio a substituir, como o Absolutismo e as teocracias.
E, sob esse paradigma, chegamos ao Brasil atual, cujo grande legado será de escancarar inexoravelmente a completa falência e esgotamento do modelo político vigente. O que vigora hoje em dia, mais do que a política, é a antipolítica; seja o velho se travestindo de novo ou o outsider se apresentando não como político, mas como gestor público (vide a hipocrisia do lobista João Dória).
Contudo, Kuhn diz que os paradigmas não caem porque suas falhas foram expostas; paradigmas só caem quando há um novo modelo no horizonte que dê conta de solucionar os problemas que o antigo já não era capaz de resolver. Visões de mundo não rompem enquanto não puderem ser substituídas.
Ou seja, o modelo atual – mesmo falho e falido – continuará vigente até que um novo o substitua. É por isso que só criticar não basta, é necessário apresentar uma alternativa. E qual seria?
“Nada é mais poderoso do que uma ideia cujo tempo chegou”. Destruição criativa é o processo de inovação em que o mais moderno surge e por seu próprio mérito substitui algo mais antigo.
Foi assim com as carroças quando surgiram os carros, com as máquinas de datilografar sucumbindo aos computadores e com os lampiões de querosene substituídos por lâmpadas elétricas. E assim será com os partidos tradicionais do Poder Legislativo. Pluralidade partidária (não descartando candidaturas avulsas) só fará sentido em relação ao Poder Executivo.
– Se você pudesse escolher entre decidir diretamente questões de seu interesse ou delegar essa decisão para terceiros, o que você faria?
Veja: é tão óbvio quanto perguntar se você prefere uma lâmpada elétrica ou um lampião a querosene.
Com um modelo de funcionamento simples, mas extremamente efetivo, a Democracia Direta torna seus representantes eleitos instrumentos para a manifestação da vontade popular expressa nas votações eletrônicas dos filiados. Ou seja, retira a discricionariedade dos eleitos no exercício do mandato e vincula seus votos aos resultados das votações eletrônicas do partido. É por isso que o foco não é “o que se vota”, mas unicamente “o como se vota”.
O projeto de Democracia Direta conta com a força de sua própria concepção; é a destruição criativa, onde um modelo termina por ter outro melhor para substituí-lo. Evolução.
Outra eleição agora se aproxima e mais do que apenas trocar os personagens, é preciso mudar o roteiro.

0 comentário em “Thomas Khun, paradigmas e Democracia Digital”