Brasileiros: um povo que sequer sabe construir calçadas, mas espera que por mágica surjam governos eficazes…

Municípios são o menor dos entes federativos. Municípios estão dentro dos Estados, e os Estados estão dentro do governo federal. As cidades são o menor núcleo de organização política que existe na vida em sociedade. É o poder público que está mais próximo de nós.

Dentro dos municípios, o menor ato de interação que ocorre entre as pessoas é a construção das calçadas nas ruas em que moram. Construir e manter a calçada é responsabilidade civil do proprietário do imóvel que com ela faz limite. Ela deveria ser certa responsabilidade de você, do seu vizinho, do vizinho do vizinho. E por aí vai…

Dito isso, pense nisso:

img_calcadas_situacao_brasil

Percebe que as pessoas andam no meio da rua? É impossível andar nessa calçada. O “planejamento” dessa rua é uma grandioso nada, uma completa burrice. Dá até vergonha de ser brasileiro.

Percebe-se que cada um fez a calçada somente para servir sua casa. E só. Ela não serve para quem caminha na rua. Imagine um idoso ou cadeirante andando nela. É simplesmente ridículo…

Via de regra as comunidades brasileiras sequer constroem calçadas descentes. E em geral são feias, esburacadas e sem nenhuma padronização que torne agradável/ seguro o ato de andar nelas.

Compare com isso:

Veja essa última, logo acima 《♤♤♤》. As casas tem um recuo de vários metros da rua. O padrão é rua, grama, calçada, faixa de árvore no gramado e daí as casas. O resultado é lindo. É por isso lá é o primeiro mundo. Nessa rua não tem um vizinho lá do fundo, o seu Raimundo, que resolve fazer um puxadinho entre a casa e a rua, e a calçada que se dane.

(Rua com/ e rua sem o seu Raimundo)

É preciso ter um mínimo de regras. A maior riqueza que existe é a boa política. São as pessoas organizando a vida em comunidade da melhor maneira possível.

A riqueza individual é valiosa quando inserida em uma comunidade organizada, segura, bela e limpa. Caso contrário, fica igual a do Brasil. Uma riqueza baseada unicamente em consumo, mas que contrasta com cidades feias, perigosas e desorganizadas. E é por isso que essa riqueza brazuca sempre está trancada atrás de muros, alarmes e arame farpado.

Dizem que o diabo mora nos detalhes. Compreender isso é compreender a fonte primária de nossa miséria. Do Brasil rico de recursos minerais, mas miserável em matéria humana.

Falar de calçadas é importante, pois elas são uma representação simplificada do que acontece na política. Falta um mínimo senso de organização. Se sequer construímos calçadas descentes, como esperar que surja um presidente que ponha ordem na casa? O ódio que da eleição de 2018 é a canalização da frustração que o brasileiro sente por não saber se organizar em sociedade.

E os oportunistas políticos obviamente tiram proveito disso. Vide as propagandas políticas. Nelas sempre há vilões e heróis. Pode ser um oponente ou uma ideologia. Um inimigo que o político-herói precisa nos salvar. Os culpados pela nossas calçadas são o governo, a prefeitura, o presidente… o capitalismo, o comunismo…a esquerda, a direita… Mas nunca somos nós mesmos.

Para construir um país decente, temos de construir boas calçadas. Se nem isso fazemos, como esperar que surjam governos que trabalhem por nós? Mágica?

É preciso auto-organização e senso de comunidade. É preciso uma Democracia Direta Digital.

Lei de zoneamento votada por bairros e municípios. Via Internet os proprietários de imóveis no bairro votariam a ocupação das ruas dele e o padrão das calçadas.

Qual casa custaria mais, na rua do seu Raimundo ou a bem longe dele? Na qual pedestre anda na rua ou pela calçada? A rua que enche os olhos ao vê-la, ou que dá vontade de fechá-los?

O que vale para calçada, vale para saneamento básico, planejamento urbano, mobilidade… Tudo…

Diria Hermes Trismegisto: o que está em cima está baixo. Os presidentes que você tanto odeia são o lado mais remoto disso tudo. São o bode expiatório levando a culpa por nossas calçadas esburacadas. A culpa é sempre deles, nunca nossa.

Uma Democracia Digital é tomar as rédeas de nossa convivência. É negar ser tutelado por representantes agindo em um poder institucionalizado completamente inoperante.

É disso que precisamos.

2 comentários em “Brasileiros: um povo que sequer sabe construir calçadas, mas espera que por mágica surjam governos eficazes…

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