Passados 3 dias da eleição, o que mais vejo é gente que votou em Bolsonaro não por simpatia a ele, mas para evitar o PETÊ. E o contrário também é válido, voto em Haddad única e exclusivamente por rejeição ao homem que não cansa de proferir barbaridades.

Fica entre nós: nenhuma das escolhas nos encheu de esperança. De um lado Haddad como preposto do chefe (preso) Lula. Do outro, um homem que elogia a tortura.
Dos milhões de votos que receberam (47 e 57 respectivamente), uma ínfima minoria votou por convicção em seu candidato. A maioria votou para evitar o outro lado. Isso faz toda diferença. É fácil dizer que o cara vota em Bolsonaro é fascista, ou quem vota em Haddad é comunista. É tentador denegrir a opção do outro lado, mas é difícil oferecer uma alternativa política decente.
Isso foi exatamente O MESMO QUE ACONTECEU EM 2014. Ou é amnésia seletiva?
Aécio vs Dilma: – A culpa não é minha, eu votei no Aécio.- Seria fácil chamar de coxinha alienado. Difícil é oferecer alternativa de voto realmente satisfatória. Deu no que deu…
Aécio, outrora esperança (como agora é Jair, o mito, Bolsonaro) foi flagrado falando em matar o primo por propina. Isso tirou o “direito” de quem votou nele fingir-se de indignado com a corrupção de um só partido, como se a culpa de viver em um país historicamente corrupto fosse unicamente do nordestino e petista.
A questão central é que, independente do lado ou ideologia, todos temos um ponto de empatia. Todos nós compreendemos que a política brasileira é completamente falida. Contudo se o diagnóstico geral é bom, o tratamento é péssimo. Caímos em uma polarização extrema e insana. O brasileiro de maneira geral anda muito emotivo e pouco racional.
Quando duas alternativas são péssimas, não se pode imputar a quem decidiu diferente de você todo o peso pela péssima escolha. Nenhum dos lados está totalmente certo ou errado. Quando eleger um lado significa devolver o poder a quem fez da corrupção modo de governo e o outro lado significa votar em um pregador do ódio que constantemente deprecia as minorias e os direitos humano como forma de manter-se nos holofotes, nenhum dos eleitores tem toda razão. É por isso que estamos com tanto ódio, é frustração reprimida por não sabermos nos organizar em sociedade.
Agora o eleito é Bolsonaro. Em breve sairá do mundo eticamente perfeito do discurso político reacionário, para a realidade do presidencialismo de coalizão. Palavras de efeito e símbolo de arma com os dedos pode ter bom efeito publicitário em campanha, mas pouco significam em termos mudanças reais.
– Mas… se as duas alternativas são ruins, o que deveria ser feito?
A culpa pelo Brasil não é de Haddad ou Bolsonaro. Nem Lula ou Fernando Henrique. Eles são, no máximo, bodes expiatórios. Dizer que os presidentes do passado foram corruptos, mas sem compreender que não se movimenta a máquina política no Brasil sem sujar as mãos é tolice.
Dos que vociferam asneiras, seja à direita ou esquerda, quantos sabem quais são os três poderes? Tem ideia do que seja presidencialismo de coalizão? E que o Congresso brasileiro é uma assembléia de desqualificados.

Apoio político pode ser comprado por propina ou troca de cargos. Uma enorme estrutura inútil é criada unicamente para distribuir cargos mantidos com dinheiro público. O problema político brasileiro não é ideológico. É estrutural. É o interesse comum que NUNCA é manifestado, pois não vem ao caso.
Enquanto discutimos heróis e vilões, o núcleo do problema persiste. Mais do trocar personagens, temos de mudar o roteiro. Esse texto não é anti ou pró nenhum dos dois lados dessa polarização imbecil, afinal, quando as duas únicas escolhas são ruins, os dois lados são responsáveis pela péssima escolha.

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