O porquê do silêncio

Parece que o Brasil (e mundo) entrou em um redemoinho de insanidade. É um caminho que vem de anos.

Um redemoinho de insanidade e ódio que alimenta correntes ridículas em redes sociais, mas que sufocam o que deveria ser o verdadeiro diálogo. Uma sociedade mais preocupada em “lacrar” do que dialogar. Sobra emoção, mas falta razão.

A eleição de 2018 foi o atestado de que a sociedade brasileira sequer sabe debater, apenas ofender. Uma mistura de medo, vergonha e frustração. É duro ser brasileiro. Não se iluda com lados ali. O problema é estrutural. Os adversários jogam o mesmo jogo, só que de lados diferentes. Independente que quem ganhasse, nos já tínhamos perdido. Essa é a dura realidade que jingles de campanhas políticas milionárias tentam esconder.

Talvez sequer exista “sociedade brasileira”. O que existe é um amontoado de estranhos, lutando entre si no mesmo espaço territorial. É por isso que nossas cidades são marcadas por muros e arames farpados…

Brasil parece ser o pinico do mundo, pra resumir, ao vivo, o momento em que escrevo: 1) o círculo íntimo do presidente da república está ligado a milícias de extermínio do Rio de Janeiro. 2) acaba de ter a segunda queda de barragens da vale em MG. O segundo desastre ambiental em três anos. 3) 150 militares israelenses (quem os chamou?) desembarcam para “ajudar”, enquanto o exército brasileiro é recusado. 4) O que foi Bolsonaro em Davos?

O Brasil, de Mariana e agora Brumadinho, está na lama. Procuramos o álibi e o vilão, no dito livre mercado ou no Estado. Na esquerda e na direita. Mas o problema no fundo sabemos qual é.

Somos nós. Somos nós, que sequer sabemos construir calçadas. Somos nós que sequer conseguimos diálogar. Somos nós que fomos tragados para uma aspiral de insanidade que fez elegeu um presidente que promete fuzilar os adversários.

A ficção mais grotesca da cultura brasileira, o homem de bem, chegou ao seu ponto mais baixo. Elegeu um “Mito”. Um presidente que tem seu círculo íntimo milicianos. Graças a velha crença em um velho redentor elegemos um Collor versão 2.0.. Dá até saudades do alagoano. Era tão asqueiroso e tóxico quanto, mas ao menos era letrado.

Enfim, sem devaneios, vivemos em um momento tão insano que inundados por uma avalanche de escândalos e desastres não há animo de dizer e escrever. Não há animo de tentar mudar coisas que parecem imutável. Ou de tentar falar, quando só é ouvido quem grita.

O Brasil se tornou (ou sempre foi?) um imenso hospício. E isso dá um desânimo imenso. Triste, muito triste.

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