Democracia Digital

Democracia representativa é ditadura disfarçada

Pode se dizer que de certa forma as grandes democracias atuais no planeta são ditaduras. Formalmente há voto e sufrágio, mas materialmente há vício na representatividade. O interesse comum sucumbe ao da plutocracia. Grupos políticos se unem a lobistas profissionais agindo sigilosamente em favor de grandes corporações mundiais, estas quais detêm poder político maior que as próprias populações das nações. “Leis são como linguiças: é melhor não ver como elas são feitas” sentenciou Otto Von Bismarck.

As populações vivem sufocadas pelo mecanismo de poder, que mistura poderes e interesses privados e públicos sem qualquer restrição. Antes de Snowden, o povo americano sequer sabia que o próprio governo os espionava em massa. Todo e-mail, toda ligação. O olho de Horus é aquele que tudo vê. Não acredite em Hollywood, as democracias não estão funcionando e as guerras não são libertadoras de oprimidos, mas sim a própria opressão.

No senso popular, os políticos são os profissionais menos confiáveis numa sociedade. Apenas 6% das pessoas confiam neles, segundo recente censo. Seis por cento. E nós continuamos insistindo nesse mecanismo.

Invasão do Iraque e Afeganistão tiveram apoio de menos de 10% da população norte americana. Quem venceu, como sempre, foi a indústria do petróleo, das armas, grandes empreiteras, entre outros. E o povo paga a conta, pois o custo de bombardear cavernas no deserto daria pra manter o ensino superior gratuito e universal para todos norte americanos por 20 anos. Mas não, fizeram duas guerras e deixaram algo próximo a um milhão de civis mortos no Iraque e Afeganistão. Quem ganha e quem perde? Para 90% da população norte americana, que não apoiava a guerra, a resposta era bem clara desde o início.

O problema das democracias representativas se acentuou com a globalização no final dos 80 em diante. Meios de comunicação instantâneos e viagens mais rápidas ajudaram corporações a se tornarem imensas. E junto do crescimento delas, aumentou a força do lobby. Um sintoma expressivo disso foi o aumento de concentração de renda e desigualdade nesse período e que vem seguindo tragetoria ascendente desde então. Brazification é o termo pra descrever o achatamento da classe média e aumento dos extremos na sociedade norte-americana.

Esse poder esmagou o povo nesse jogo de representatividade democrática. Políticos não são confiáveis para o povão, mas representam muito bem os interesses do lobby. Agronegócio. Mineração. Guerra e armas. Farmácia. Políticos, embaixadas, lobby transnacional. Poder e dinheiro. Moralidade é relativa e tudo é negociável.

Vemos agora a ruína dessa estrutura insana. Trump nos EUA, Bolsonaro no Brasil. Boris Johnson na Inglaterra. Frutos da mesma operação política internacional. Filhotes de Steven Bennon e cia. Política do reality show.

Só o povo pode se libertar. Ninguém fará por você aquilo que só cabe a você. Liberdade não se ganha: se conquista. Democracia digital neles!

0 comentário em “Democracia representativa é ditadura disfarçada

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.