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Eleição 2018: a catarse do ódio

Eleição de 2018 conseguiu ser pior que 2014. A única certeza que TODOS deveriam ter é de que não há motivos comemorar. O brasileiro está triste. E pior. Profundamente doente.

Frases como não te estupro porque você não merece ou sou a favor da tortura não podem ser relativizadas. Jair Bolsonaro é um pregador do ódio eleito pelo ódio. Isso não tem nada a ver com direita ou esquerda, mas com civilidade vs. barbárie.

Fascismo é a promessa de ruptura institucional pela própria Instituição. Elegeu-se o chefe da instituição (presidente) graças ao sentimento anti-institucional.

A frustração de vivermos em um país que sequer sabe fazer calçadas, ou seja, sermos péssimos em convivência social é o ponto de empatia entre todos. Políticos são o bode expiatório de nossa incompetência.

Se correr o bicho pega, se ficar morde. No segundo turno, um candidato representava o establishment. Votar nele é continuar como está. O outro é a ruptura absoluta. Vai mudar tudo.

O Brasil e suas constantes quebras democráticas. 8 ou 80. Herói ou vilão. Mitos. Os político profissionais agradecem pela narrativa. Isso é algo suprapartidário e histórico. Desde sempre. Nossa “liberdade ” e “independência” foram compradas. Desde a fundação desse país, nunca quitamos nossa dívida com bancos estrangeiros.

Monarquia acabou-se com o golpe repúblicano. Foi golpe militar do maçon Marechal Deodoro e asseclas. República velha (1885-1930) e política do café com leite. Minas e São Paulo revezavam na presidência. (8 presidentes mineiro 7 paulistas). Jogo de cartas marcadas sem dúvida. E o resto do Brasil? Que se dane!

Getúlio Vargas e suas décadas na presidência. Golpe militar de 64 até 84.

Veio a Constituição de 1988. Democracia afinal?

O chefe de quadrilha e dono do Maranhão José Sarney sequer foi eleito diretamente pelo povo. Depois dele, Collor caiu. FHC. Lula. Dilma caiu e entrou a aberração Temer. Agora é Bolsonaro. Eleito com a promessa de quebrar tudo, destruir o mecanismo.

A conclusão é que o Brasil é um país que jamais caminhou contínuamente. Jamais teve projeto de longo prazo. Apenas bravatas e delírios que duram o oportunismo dos mandatos dos políticos. Projetos de poder políticos se alternando mediante quebras, choques e traumas é o preço de não termos nenhuma noção republicana.

Veio a baixaria da eleição de 2018. Nem debate houve. As alternativas podem ser reduzidas a: 1) um grupo votando em bolsonaro para fugir do petê. 2) outro grupo votando no Haddad pra fugir de bolsonaro.

Ou seja, não votamos pelo que queríamos, mas para evitar o que não queríamos. Tragédia anunciada.

Estamos frustrados e 2018 foi a catarse de tanta coisa reprimida. Ser brasileiro não é fácil. Elegemos o miliciano Bolsonaro e seu cômodo discurso da barbárie. O inferno são os outros.O palhaço Bozo diverte a população ao falar sobre negros que não pesam 7 arrobas. Sequer pesam quilos, medida de gente. A platéia se diverte. Humor de gente doente.

Não que a oposição seja melhor. Apenas tem um verniz mais espesso de civilidade. Afinal construir estádio no Amazonas ou Brasília por bilhões apenas para receber dois jogos é o que? A barbárie petista é discreta, se finge de solidária e que ama pobre. Mas nos bastidores financia bilionários como Eike Batista e os irmãos batistas da JBS Friboi. Que tipo de igualdade socialista querem construir financiando com dinheiro público bilionários privados?

É por isso que bate-se tanto na tecla que nosso problema político não é ideológico. É da estrutura de representatividade. Se você não é uma grande corporações, multimilionário ou corrupto, você não é devidamente representando. Políticos só querem seu voto e nada mais. Não adianta trocar os personagens, o problema é o roteiro. Precisamos tomar de volta o que é nosso. Poder de decisão. DDD neles.

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