Política

Em plena Era da informação, nunca estivemos tão irracionais

Smartphones e Internet acessam e produzem informação quase ilimitada em tempo real. Hoje, em poucos dias de Internet ocorre mais upload de informação do que toda a produção de séculos e milênios passados juntos.

Contudo, nossos hábitos não acompanharam, de maneira saudável, este aumento exponencial. Aumentou-se a quantidade de informação e devido a nossa limitada capacidade de absorção ficamos desorientados. Nossas mentes estão sendo soterradas pelo tsunami de informação, de textos, sons,videos e inúmeras interações sociais ocorrendo numa velocidade nunca vista antes.

Inúmeros fatos poderiam exemplificar isso. Ficarei em apenas um:

Março de 2020: começo da pandemia nos EUA, crise de desabastecimento nos supermercados. Milhares de americanos brigando por alimentos e papel higiênico para estocarem por emergência. Março terminou com um total de cem mil casos de Covid-19 nos EUA.

Junho de 2020. Agora são mais de 2,5 milhões de casos confirmados. E o que as pessoas fazem? Utilizam os estoques de emergência e evitam exposição desnecessária a todo custo? Não, elas brigam pelo direito de entrarem nos estabelecimentos sem máscara. Qualquer Google sobre o assunto trará inúmeros casos. Longe de serem casos isolados, a pior epidemia é da estupidez. E nem se limita aos EUA. No Brasil, segundo maior quantidade de casos de covid-19 no planeta (atrás justamente dos EUA), o presidente faz comício a céu aberto e sem máscara. E pior, abraçando criança  e  fazendo populismo barato.

Num sistema corrompido, de cima a baixo e direita à esquerda, a meritocracia é uma justificativa arcaica para manutenção de velhos privilégios. De que vale meritocracia se não há um mínimo de isonomia na formação das pessoas? Não há paralelo entre aluno de colégio bilíngue (com mensalidade de milhares de reais) e o aluno miserável que vai pra escola comer e fugir da fome. Indiretamente somos todos derrotados nessa batalha injusta, pois miséria, ignorância e violência andam juntas e oprimem todas as classes. GTA? Não, U.S.A.!

Tão falso quanto a meritocracia é o conceito “homem de bem”. Primeiro, o que objetivamente torna alguém ‘de bem’?
As pessoas se apegam a um conceito abstrato, fazem um autojulgamento hipócrita e decidem conforme a própria consciência que são pessoas de bem (logo, o inferno são os outros). Isso virou uma epidemia nos últimos tempos, ser ‘de bem’ não dá o direito de agredir desconhecidos na rua. De gritar quando ouvir opinião contrária. De pedir a morte de todos. Todo assassino em algum momento julga ter razão. Não é mero acaso que o país com quase 4/5 de história escrita com escravidão, hoje clama que bandido bom é bandido morto.

Assim, o debate que deveria ser franco e profundo, é reduzido a problemática superficial e escrota de tá com pena leva pra casa.
Até quando andaremos em círculos, odiando bandidos, mas ignorando os fatores que os produzem em massa. É por isso que ser “de bem” é um termo falível, pois somos cúmplices, por ação e omissão, da sociedade que permite que suas crianças cresçam no meio do esgoto.Frustrados, descontrolados e raivosos, nós, classe trabalhadora, vivemos a corrida dos ratos acreditando sermos Senhores do mundo, quando na verdade sequer somos Senhores dos nossos pensamentos. A pergunta milenar de Cristo continua sem resposta: de que adianta ganhar o mundo inteiro se perdemos nossa alma?
Nessa pandemia precisamos fazer uma autocrítica sincera sobre trabalho, consumo e sentido da vida. Afinal, somos felizes? E as transformações que fazemos no meio ambiente do planeta, são sustentáveis?

Por mais que você possa odiar políticos, irrelevante se Lula ou Bolsonaro, eles são sintomas disso tudo e nada mais.
Odiamos as criaturas, mas ignoramos seu criador: nós. Políticos são a institucionalização do que somos como conjunto de indivíduos/comunidade. Podemos, inócuamente, continuarmos xingando-os, ou passar a ver neles nosso reflexo.

O planeta não pode voltar ao normal, o que vemos agora é a realidade gritando por mudanças. Se não a ouvirmos, na próxima vez será o Zeitgeist nos dando porrada.

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