Política

Deus uniu os homens, o diabo os separou

No palco os aplausos e nos bastidores vexame. O establishment político é uma farsa. Vemos o show das marionetes, mas o espetáculo verdadeiro ocorre atrás das cortinas.

Nós contra eles. Luta de classes, inerentes ao capitalismo? Não, inerentes à humanidade. A história humana pode ser escrita com o sangue dos conflitos.

O populismo político gera a tensão. No livro 1984 de George Orwell, a primeira versão da sociedade totalitária não funcionou porque havia a ausência de conflitos. Logo, trataram de criar crises políticas e guerras controladas, cujo objetivo não eram ser vitoriosas, mas sim manterem os povos em constante estado de medo e tensão. Assim é mais fácil controlar o rebanho.

Isso é ciência, psicologia política. É preciso um antagonista para se vender como protagonista. Logo surge um binarismo estúpido que é explorado à exaustão. Homem de bem vs. vagabundo, do fraquíssimo Jair Bolsonaro. Ou a elite de olho azul responsável pela crise, conforme Lula. Tem de haver um inimigo. Um medo que só será acalmado graças à salvação pelas mãos do político herói.

P.ex. Ser contra o rico é algo totalmente diferente de ser conta a desigualdade extrema, este qual é o grande problema do Brasil. Contudo, o problema é que a discussão é limitada a uma escolha binária, de modo a cercear a discussão. Leva-se o debate ao extremo e assim algo que jamais seria considerado normal, passe a ser aceito. Esse é o conceito de super (ou hiper) normalidade. Logo, discute-se pobreza-riqueza não pela razão, mas por cega emoção. O medo, do outro extremo, é estratégia de dominação. Arianos vs. miscigenados. Puros e impuros. Esquerda contra Direita. Deus contra diabo.

Colunistas selecionados a dedo por grandes emissoras replicam as ideias dos patrões. Vassalos do baronato midiático, segundo definição precisa de Ciro Gomes. O jornalismo é manipulado cuidadosamente para contar versões, não fatos.

Políticos oportunistas fazendo arminha com a mão. Patético. Outros personagens políticos são mais bem elaborados. Vide Barack Obama. Pagando de humanista e bem humorado, enquanto sabia que drones americanos matavam famílias inteiras no Oriente médio por engano e mesmo assim não parou esse tipo de operação.

No palco os aplausos e nos bastidores o vexame. O establishment político é uma farsa. Vemos o show das marionetes, mas o espetáculo verdadeiro ocorre atrás das cortinas. Quer o pai dos pobres? Vai ter. Quer o vingador da justiça? Também vai ter. O marketing político vende exatamente sua demanda. E nós, ano após ano, pagamos pelo caro pelo show.

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