Política

Congresso perdoa dívida de um bilhão das igrejas. Numa democracia digital isso nunca aconteceria

2020 foi o ano que parece ter sido roteirizado pelos criadores da série black mirror. Uma distopia envolvendo pandemias, revoltas políticas e raciais (vide EUA e Chile) e no caso brasileiro um presidente envolvido com milícias, inflação, dólar a quase seis reais, dívida pública proxima aos 100% do PIB e uma política ambiental que se resume, nas palavras do ministro do meio ambiente, a passar a boiada nas florestas.

Não faltava mais nada, certo? “De onde menos se espera, daí que nada sai” sentenciou o barão de Itararé. E, o congresso brasileiro está sempre preparado pra isso, nos surpreender mesmo nós não esperando nada dele. No meio da crise econômica e de saúde pública decidem perdoar um bilhão de reais em dividas tributárias de igrejas. O projeto aprovado pelo Congresso Nacional pode anular dívidas tributárias de igrejas acumuladas após fiscalizações e multas aplicadas pela Receita.

Não é necessário maior elucubrações sobre o quão criminoso é aprovarem um projeto desses. Fato é: ninguém alí no congresso te representa, a não ser que você seja um latifundiário, banqueiro, pastor multimilionário ou miliciano.

Um absurdo desse é aprovado justamente porque ninguém no congresso representa nada além do próprio interesse político. Tudo começou graças ao encontro planejado pelo presidente Jair Bolsonaro, ocorrido no final de abril, entre o deputado David Soares (DEM-SP), filho do missionário R. R. Soares, e representantes da Receita Federal, para debater o tema e ver as possibilidades de isenção e perdão de dívidas. De lá surgiu esse crime contra os contribuintes honestos do Brasil. PT e a PC do B votaram a favor do projeto, o que só comprova que o grande problema político não é ideológico, mas sim falta de representatividade do interesse público. É contra isso que as pessoas deviam se voltar contra, não contra um maniqueísmo infantil de direita e esquerda, onde uma é vista como totalmente pura e a outra impura.

Numa Democracia Digital onde as pessoas votassem diretamente um projeto desse não seria aprovado. Ponto. E mais. Numa Democracia Direta Digital a reforma administrativa teria a decência de incluir os servidores públicos que causam maior custos ao erário: militares, juízes e políticos. Entre muitas outras vantagens indevidas que poderosos ganham por financiarem e controlarem marionetes no poder. E cá estamos, discutimos em redes sociais sobre direita e esquerda, golden showers e mamadeiras de piroca, enquanto o congresso passa a boizada sobre nossos interesses. A crise no Brasil sempre foi política. O resto – miséria, ódio e violência – é consequência de não sabermos nos organizar.

É preciso mudar a estrutura, é preciso democracia digital.

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