Imperdível a entrevista de ontem do antropólogo francês Bruno Latour. Segundo ele, estamos dentro de uma tempestade perfeita. Latour afirma que nenhum outro país enfrenta sobreposição de crises tão extremas quanto o Brasil, “onde está visível tudo aquilo que vai ser importante nas próximas décadas”. E o que seria a tempestade perfeita?
É claro que essa é a tempestade perfeita: quando há a mais forte virada na política, que é o novo regime climático, é também quando há a maior catástrofe na política. Ambos estão relacionados: se a política se tornou tão maluca é porque a crise é muito profunda e ela é sobre o clima. Sobre o horizonte para o Brasil, é muito importante para o resto do mundo que vocês encontrem respostas para essa crise.
É que —como posso dizer isso sem parecer desesperado?— se vocês administrarem uma solução, vocês salvam o resto do mundo. Porque em nenhum lugar há a mesma intensidade das duas tempestades se juntando, a ecológica e a política, como há no Brasil.
O Brasil é hoje como a Espanha era em 1936, durante a Guerra Civil: é onde tudo que vai ser importante nas próximas décadas está visível.
Jair Bolsonaro, capitalismo financeiro, retorno do risco de inflação e devastação ambiental. Interessante o alerta que o antropólogo faz sobre o nacionalismo/patriotismo serve: “A guerra cultural é parte disso, não é dissonância cognitiva. Não é coincidência que o governo brasileiro é tão inspirado por atitudes religiosas: se essa casa queimar, não importa, eles levam seus recursos para seu outro planeta, no céu, no paraíso.”. Ou seja, coletivamente toleramos a destruição do cerrado, pantanal e amazônia, pois o verdadeiro paraíso será na próxima vida. Somos governados por lunáticos, terraplanistas e fundamentalistas religiosos.
A tempestade perfeita está aí. Curioso notar que a devastação ambiental é comandada pelo ministro do meio ambiente. Distopia. Frases como, aproveitar o Covid-19, para “passar a boiada” nas florestas deveria ser motivo para exoneração sumária, caso não estivéssemos em um surto coletivo. Estamos em uma época de recordes de temperatura média registrada no planetas:

Não é uma boa época para destruir nossos biomas sem nenhum tipo de controle científico ou projeto político que não seja devastação irrestrita. O ministro Ricardo Sales, um condenado por improbidade administrativo, veio do partido Novo, este qual é base de apoio do governo do milíciano Jair Bolsonaro. De Novo, apenas o nome. Sem nenhuma visão de presente ou estratégia para o futuro. Além de queimar florestas, nas horas vagas o condenado Sales se dedica a queimar o filme do Brasil no exterior:

Sobre a polarização direita-esquerda, o antropólogo afirma, com toda razão, que precisamos de uma terceira via. Presos na estratégia das tesouras, temos de olhar para trás o que essa polarização estúpida fez e faz por nós enquanto sociedade. Apenas divisão e destruição. Unidos vencermos, uns aos outros…
Uma última mensagem para os brasileiros?
Tenho uma relação muito forte com o Brasil. Meu coração está com vocês nesta tempestade perfeita e espero que vocês saiam dela. Todos nós precisamos que vocês saiam dela.
Grandes corporações e o capitalismo financeiro dominaram a pauta política. O meio ambiente não dá conta de sustentar a sociedade do descartável e consumo em massa. Precisamos de uma terceira via, uma nova forma de fazer política. Precisamos tomar de volta o poder que nos foi roubado por “representantes” que só representam eles próprios. O 🔥 nas florestas é o sinal de alerta.


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