Celso Russomanno, o homem da ordem. Vestimenta sempre alinhada. Conservador, Patriota, Família. Cristão- homem direito. Todas as etiquetas políticas que encantam a classe média reacionária.
Celso Russomanno disse recentemente que “sou candidato em São Paulo e é evidente que tenho carinho por Bolsonaro”. Paulistano não aprendeu com o patético Bolsodória. Russomano em primeiro lugar na pesquisa de intenção de votos. Qualquer um que se venda como justiceiro e faça promessas misturando substantivos e adjetivos certos vence.
A pergunta é: o que vandalizar embalagens de produtos e ameaçar de prisão uma caixa de supermercado negra com instrução educacional bem abaixo do DOUTOR Russomano tem a ver com justiça?
Dá nojo. É constrangedor e revoltante ver um imbecil criando uma imagem de rigoroso usando esse tipo covarde de artifício. Mas é isso que elegemos. E o pior, o rigor de Russomanno é seletivo. Tigrão com a atendente preta, tchuchuca do Mito de olhos verdes. Ignora fatos como Queiroz, os $89 mil na conta da primeira dama e o filho dele, o bandido de alta periculosidade Flávio Bolsonaro.
Celso Russomanno, um cara que se vende como paladino anti-corrupção não deveria ignorar isso, certo?
Certo, mas apenas onde o planeta é redondo. No Brasil, a Terra Plana. Aqui a mentira é uma reta e a verdade faz curva. A política é uma fábula com sentido insano. O arquétipo engomado- justiceiro é utilizado a exaustão:

É óbvio que o paulistano, quiçá o brasileiro, sofreram um processo de Datenização. Na verdade, o gênero polialesco vem pelo menos do início da década de 90, com Gil Gomes, Ratinhos, e congêneres. Repórter ir em delegacia humilhar preto algemado ao vivo na TV é algo natural no Brasil. Recentemente um catador de lixos foi assassinado após o Cidade Alerta divulgar em rede nacional que ele era suspeito de serial killer.
“A informação que nos chega é que seria 99,9%, viu Bacci? Certeza de que é este homem, que você tem a foto em mãos, mas que a gente não pode divulgar”, disse a repórter Lorena Coutinho ao apresentador Luiz Bacci durante o programa. “A polícia tem praticamente certeza de que é este homem”, completou ela.
O apresentador fez apelos para que a população não fizesse justiça com as próprias mãos.
A reportagem da TV Record trazia uma foto borrada de Dias, que foi reconhecido na cidade e morto a tiros.
E a mãe descobrir ao vivo na TV que a filha foi assassinada, enquanto milhares de telespectadores doentes assistem o show. Parece nobre?
Esse é o Brasil do Mito, Russomano e do quase ex governador Witzel (atirar na cabecinha). Entre muitos outros Não se trata de ideologia ou lado. Se trata de humanidade e decência.
Não é coincidência que no Brasil, último país do planeta a acabar com a escravidão, o tema Direitos Humanos evoque tanto ódio. Não estamos acostumados com a ideia de que o outro tem de ser tratado com compaixão e dignidade. Brasileiro tem ódio quando se olha no espelho. Os donos do poder e no ápice da corrupção riem dos que acham que bandido perigoso é só o preto, pobre e favelado. O rico de Alphaville manda a polícia tomar no cu, pois sabe que sua cor e classe econômica o tornam imune a truculência policial. A classe média e baixa aplaude o linchamento, físico ou moral, do “vagabundo” na TV, talvez por crerem que isso é algum tipo de justiça. Doentes e pior, perdidos!
O buraco é muito mais embaixo. Só lembrar que a primeira polícia militar que surgiu no Brasil (do Rio de Janeiro) tem até hoje o símbolo da cana, café (ambos produzidos por latifundiários com mão de obra escrava) e a Coroa do Rei. O militarismo surge para proteger o latifúndio e o governo. Duzentos anos e onze anos depois, presididos por Bolsonaro, a impressão que fica é que andamos em círculo.


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