Política

Extremismo em alta: por que as democracias estão em crise?

Não é hipótese, é fato: As democracias ocidentais estão em ruínas. No Brasil 83% das pessoas se declaram insatisfeitas com a democracia. Nos EUA, a invasão do congresso por manifestantes causou espanto pelo mundo.

Sem dúvida, os algoritimos das redes sociais aumentam a polêmica. Não interessa discernimento e boas ideias. É o polêmico que explode, chega aos trending tropics e viraliza. Para cada candidato polêmico que diariamente fala barbáries como forma de manter engajamento digital, existe uma infinidade de moderados sendo ignorados sistematicamente. A propaganda eleitoral obrigatória na TV não significa mais nada, já que as eleições agora são ganhas em rede social.

Porém, apenas redes sociais não explicam a ruína política atual. Elas polarizaram perigosamente um sentimento que já existia antes delas, a frustração política. Partidos políticos, congressos e presidência são as instituições menos confiáveis no Brasil, conforme pesquisa.

Desde os grandes protestos de 2013 no Brasil, era previsível que a polarização aumentaria cada vez mais no Brasil. Nos EUA, a invasão do Capitólio em 2021, certamente começou bem antes com guerras injustas e grampo em massa, via NSA, da própria população (e resto do mundo) sem sequer conhecimento (e muito menos consentimento) dos norte americanos.

É a tempestade perfeita: a frustração com a estrutura política é a raiz do problema e as redes sociais deram voz a insatisfação geral e seus algoritimos amplificaram a polarização. Um foi a gasolina e o outro o fósforo.

Conforme artigo publicado aqui anos atrás, a polarização extrema é causada em primeiro lugar pela falência do modelo de democracia representativa que vivemos. Homeostase é a sociedade e lideranças políticas fazendo ajustes visando reequilíbrio das instituições beirando o colapso.

Homeostase: do grego homeo similar ou igual, stasis estático.  É a propriedade que um sistema aberto tem de assumir um estado de equilíbrio mediante múltiplos ajustes de equilíbrio dinâmico.

Nosso organismo e vida são homeostáticos. Põe-se alguns cubos de gelo em água gelada e o resultado será água em temperatura fresca.  Nosso corpo é homeostático ao não deixar nós oscilarmos entre febres extremas e tremores de frio, mantendo nossa temperatura em torno de 37oC.

Imagine um sistema que tenta manter uma situação de equilíbrio. Por exemplo, uma bola no fundo de uma cavidade[1]:

bola11

Se o sistema for homeostático, quanto mais desequilibrado ele estiver, mais intensas serão suas tentativas de reajuste:

bola2

Conforme o sistema vai se alternando e se aproximando do estado de equilíbrio, esses ajustes vão progressivamente se tornando mais suaves.

bola3

E ao atingir o equilíbrio o sistema para de mudar. Fica estável:

bola11

O que acontece agora é a radicalização da política mundialmente. O ódio e o extremismo crescem, e temas como xenofobia e fascismo ressurgem com força na pauta política da Europa; nos EUA Donald Trump; e no Brasil é a bancada parlamentar BBB (Boi, bala e bíblia).

A radicalização política é plenamente explicável sob a ótica da homeostase: quanto mais um sistema estiver em desequilíbrio, maior será a intensidade das tentativas visando seu reequilíbrio.

É notória a falência do modelo político atual. Ao ponto do presidente em exercício da Câmara, Rodrigo Maia, dizer:

“Precisamos entender que o sistema político faliu e não representa mais a sociedade”

Cada político vende a seus eleitores a ideia que está do seu lado, que estão lutando por um mundo melhor. Contudo, a mudança não vem. E, frustrado, logo o povo passa a flertar com discursos radicais. P.ex. Jair Bolsonaro foi eleito presidente, mesmo fazendo apologia da tortura.

O desequilíbrio no sistema político é consequência que governos, ou melhor, as democracias representativas, não são capazes de cumprir o seu objetivo fundamental de representar a vontade popular. Vivemos em um mundo sendo devastado por nós mesmos e as pessoas sabem, intuitivamente, que algo precisa mudar. Mas o quê?

Não é necessária a sujeição ao perigoso extremismo de político para conseguir mudanças. Aliás, a história mostra que do extremismo político traz apenas tragédia.

O modelo de funcionamento de uma democracia DIRETA e DIGITAL é uma profunda reforma na representação popular ao transformar os políticos eleitos instrumentos para a manifestação de vontade dos eleitores que votem no sistema online.

Retira-se a discricionariedade do eleito para o P. Legislativo e vincula seus atos as votações online dos filiados, distribuindo assim um poder extremamente concentrado[2]. DDD não se trata de chegar ao poder, mas de distribuir o poder.

Fundar uma democracia digital será uma mudança profunda. É como se no exemplo da bola, ao invés de aplicarmos uma força radical na bola, nós alterássemos a estrutura da cavidade em que ela oscila. As sociedades agora são digitais, entretanto a política ainda é feita de maneira analógica. Precisamos mudar.


[1] Piazzi, Pierlugi Inteligência em concursos – 2 ed. – São Paulo: Aleph, 2015.

[2] Em âmbito federal são 594 congressistas representando 200 milhões de brasileiros, ou seja, 0,000297% da população representando os outros 99,999703%.

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