É comum no presidencialismo de coalizão que o chefe de executivo consiga apoio parlamentar por meio de distribuição de vantagens indevidas. Pode ser distribuição de cargos, como p.ex. quando Dilma Rousseff indicou genro de senador para ANAC, pode ser por meio da administração corrupta de algum filão público, como p.ex. o rombo de $2 bilhões deixado por líder do golpe Eduardo Cunha no fundo de pensão da CEDAE, ou o mais tradicional de todos, propina diretamente aos “nobres” parlamentares, como p.ex. na compra da emenda da reeleição por FHC e o mensalão petista.
Agora, comandado por Jair Bolsonaro, ocorre o aperfeiçoamento desse mecanismo, onde a propina é disfarçada de cota parlamentar secreta.
Ao mesmo tempo em que o governo miliciano diz não ter verba para vacina, para o ensino, para saúde e até para o combate à corrupção, com o sucateamento do COAF, o picareta distribuiu 3 bilhões de forma secreta para parlamentares aliados, os quais serviram inclusive para compra de tratores por valor 250% maior que o preço comum.

O esquema/ mecanismo está aí e ocorre desde sempre, independente de partido na presidência. E pior, por simetria ele ocorre em governos estaduais e municípios.
A grande dúvida é: por que o povo ainda permite isso?
Por que perder tempo discutindo, entre direita e esquerda, qual seria o menos pior ou quem rouba menos?
Lendo as manchetes, fica a CERTEZA que combate a corrupção é só motivo para manipulação política. O problema estrutural é reportado apenas num aspecto superficial. Anos após a lava jato, continuamos em círculo. E tem muito grande ganhando com isso, motivos não faltam pra deixar tudo do jeito que está.
Presidencialismo de coalizão é inerente à democracia representativa, um modelo que tornará-se arcaico no mundo digital. Falta apenas nos darmos conta disso.
Ao invés de debatermos a falência política, que tal discutirmos a mudança?
Até quando veremos essa máquina de enriquecer poucos em prejuízo de muitos funcionar?
Chega de intermediários, democracia digital!

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