Política

Teocracia religiosa: como o Brasil chegou ao fundo do poço

Não é por acaso que a ciência política é unânime em querer a separação entre igreja (religião) e o homem.

Todas as guerras foram “amparados” por políticos e imperadores falando em nome de Deus. E toda a vez que políticos e religião se misturam é péssimo.

Aqui, o brasileiro é complexado culturalmente por um paradoxo. De um lado, há orgulho pela parcial origem européia. E do outro, há vergonha da matriz africana. Isso causa uma enorme distorção do povo ao fazer auto-análise/se olhar no espelho. Negamos a escravidão e o genocídio de nativos a aplaudimos qualquer coisa que venha do hemisfério Norte.

Culturalmente, esse paradoxo dá origem a crença de que uma religião deve prevalecer sobre as outras, justificando assim a precarização do Estado Laico – característica inegável do Estado Moderno. Logo, a política deixa de ser a busca pela boa convivência humana e se torna um infértil deserto de sal da “guerra cultural”. Essa é a definição do governo atual, de Jair Bolsonaro. Guerra cultural é a manipulação digital generalizada visando transformar o país em um enorme hospício. Não há contraditório, tudo que questiona está do lado inimigo.

O “nosso” Deus não difere de Deuses indígenas, africanos ou árabes. Em quê uma teocracia cristã no Brasil seria tão diferente de uma ditadura religiosa árabe-muçulmana ou africana. Nosso Deus seria mais justo? Seria, dentre milhares de outros, o único Deus verdadeiro, motivo pelo qual justifica-se seu ingresso na política atrás de políticos poderosos?

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Bandeiras de Israel foram içadas nos pontos mais altos da favela Cidade Alta, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Barricadas são levantadas para conter a entrada da polícia e de grupos rivais. Nestas barricadas, o símbolo da Estrela de Davi adverte os transeuntes sobre o território em que estão entrando. Em um bunker utilizado por narcotraficantes, forças policiais encontraram munições para metralhadoras antiaéreas, coletes balísticos e uma cópia de luxo da Torá, o livro sagrado do Judaísmo (…)

(fonte: https://www.opendemocracy.net/pt/ascensao-narcomilicia-neopentecostal-brasil/)

Esse é o buraco em estamos nos metendo. A política, ao invés de ser a arte da boa convivência, se torna instrumento para manipuladores disputarem o poder. A tal guerra cultural é a fase final da falência da política representativa. O Deus da política é a forma mais baixa de manipular desesperados.

Parlamentares como Eduardo Cunha, a homicida pastora Flordelis, o presidiário pastor Everaldo. É só encenar bem a fé que basta para ser eleito. E provam que religião em política nada tem a ver com honestidade.

É dedução lógica presumir que Deus, em sua absoluta perfeição, teria VERGONHA dos políticos que juram lhe representar.

O Brasil vai se libertar culturalmente quando parar de eleger quem usa Deus como modo de angariar votos. Até lá, continuaremos elegendo Mitos.

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