Política

Internet: nunca estivemos tão conectados. E nunca nos comunicamos tão mal.

Imagine falar pra alguém do início dos anos 90 que dentro de uma ou duas década as pessoas levariam no bolso: 1)computadores portáteis; 2)telefone; 3) máquina fotográfica; 4) bibliotecas; 5) aparelhos de som e infinitos discos de vinil; 6) cartões de crédito; entre outras possibilidades.

Se é difícil imaginar, basta ver as ficções científica dos anos 90. Ninguém imaginava quão rápido chegaríamos na década da informação. Alan Moore, o responsável por V de vingança, Watchmen, entre outros, fala em modernidade gasosa o que significa eventos extremos e transitórios – como explosões- constamente ocorrendo alternadamente. Isso ocorreria devido ao volume se informação criado de maneira exponencial na era da Internet.

O estilo de vida de nossos avós não mudaram substancialmente de seus tataravós, o qual não mudou substancialmente dos tataravós deles. E assim por diante. Décadas, ou mesmo séculos depois, a vida era basicamente a mesma. Vida rural, subsistência, alto grau de analfabetismo, baixa expectativa de vida, casamentos precoces, inexistência de tecnologias e energia elétrica eram realidade de nossos antepassados, quer seja de 100, 200 ou mil anos atrás. A sociedade, costumes e tradições eram sólidos. Não mudavam essencialmente com o passar de gerações. Veio o século vinte e a evolução tecnologica exponencial. Sequer nos demos conta do que temos em mão.

As tradições sólidas do passado deram lugar ao que Bauman chamou de modernidade líquida, o que implica em algo fluído diferente da solidez de tradições quase imutáveis. Porém, segundo Moore, a internet nos trouxe a possibilidade de uma realidade gasosa. Explosões dispersas sucessivamente correndo. Pertinente ou não, algo viraliza essa semana e em breve será esquecido. E assim sucessivamente. Como explosões que surgem, ofuscam e cessam. Esse é o conceito que o próprio Alan Moore diz que o assusta.

Afinal, para onde isso irá nos levar?

A teoria malthusiana dos alimentos, que aterrorizava a humanidade com a ameaça de fome graças ao aumento exponencial da população e aritmético da produção de alimentos, agora no campo da informação tem plena consolidação. Conteúdo, ao invés de fome o que temos é estupidez em massa graças a informação exponencial distraindo mente e atenção escassa.

E cá estamos. Comunicação gratuita, instantânea e universal utilizada para discutir p.ex. se a Terra é plana. Ou para viciar em pornografia. Ou correntes de whatsapp e fakenews.

Isso vai passar. Não há mal que dure pra sempre. É questão de tempo para que o sappiens domestique a maciça informação ao qual é exposto atualmente. Quando será é uma incógnita, mas que vai ocorrer é uma certeza oriunda de dedução lógica.

George Orwell diz em 1984 que uma sociedade totalitária iria censurar a informação de modo que o que deveria interessar jamais chegaria ao destinatário final, mantendo o cidadão comum em um perpétuo estado de alienação. Porém a realidade está mais próxima de admirável mundo novo de Aldous Huxley, onde a informação até estaria disponível, porém soterrada por uma montanha de futilidade que monopolizaria a atenção. E cá estamos, na Babilônia virtual onde cada um fala uma língua e ninguém ao certo se entende. Tudo passa, e isso também passará. Falta saber quando.

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