- O PMDB?
Por toda vida, achei-o a maior das fraudes. Entre governo e oposição, o PMDB sempre está no Centro. Neutro, para onde o poder for ele vai atrás. Briga entre PT e PSDB? No meio. Orçamento secreto de Arthur Lira? Certamente é um dos beneficiados.
Ou seja, o PMDB é um partido parasitário que desde a ditadura militar suga o povo brasileiro. Lar de alguns dos maiores picaretas que essa terra corrupta já viu, como Eduardo Cunha e o capo di tutti capi José Sarney.
Porém, veio o insight. Ao menos tem a decência de não se fingir ideológico. Não diz seguir uma aspiração maior, ideológica e espiritual. Ideologia política no Brasil vira blefe quando deixa a pureza das ideias para as tradicionais práticas políticas que envolvem tocar um grande orçamento público como ocorre nas Prefeituras, Estado ou presidência da República.
Falando sobre a ala radical de partidos como PSTU e PSOL, Lula disse que tudo que ele mais torce é que um dia esses partidos assumam uma cidade ou governo com grande orçamento para que então compreendam que ideologia governa livros e discussões universitárias, mas não pessoas. Viver em sociedade exige política e política exige pragmatismo. Seja boa ou ruim, a política nunca deixa de ser exercida. Em política não existe vácuo.
As instituições políticas surgem do nós, indivíduos, vivendo coletivamente. Serve para proteger o individuo do coletivo, e, ambiguamente, proteger o coletivo do(s) indivíduo(s).
O que nós nos revolta contra o “Nove dedos ladrão” ou “Bozo miliciano” é, no fundo, frustração por sermos tão ruins convivendo em sociedade. A instituições públicas são frutos da cultura moldada por séculos de história. Elas são consequência da soma do que nós, indivíduos, materializamos quando vivemos em coletividade.
A política brasileira é, em parte, fruto da cultura do país da Lei de Gerson, da malandragem e impunidade. Para tocar a maquina política no Brasil é preciso sujar as mãos.
“Sem propina, não se coloca um paralelepípedo em obra pública,”
Embora os políticos possam simular um confronto ideológico na superfície, sabemos que governos são tocados do mesmo jeito. Da documentada compra da emenda constitucional que permitiu a reeleição por FHC, ao mensalão petista e o orçamento secreto de Arthur Lita, só muda os comandantes do esquema. As regras do jogo são sempre as mesmas.
Há 10 anos o mensalão movimentou 101 milhões. No mundo da propina hoje em dia isso aí é troco. O orçamento do governo para 2023 prevê 31 bilhões em verbas parlamentares, sendo que R$ 19,4 bilhões para emendas de relator, que ficaram conhecidas como orçamento secreto. O orçamento secreto é um esquema de destruir o bolso do eleitor 192 vezes maior que o mensalão.
Andamos em círculos, porém círculos com traçado cada vez ficam maiores. Que diferença faz? Toda!
Quem não compreende que a política é fruto de um contínuo caminhar histórico, tende a crer em sonhos de rupturas no establishment, através de políticos que se vendem como heróis lutando contra vilões. Doutores, Pastores, Coronéis, Delegados, qualquer nomenclatura que ajude na narrativa vilão-mocinho é bem vinda.
O cara que vai salvar o Brasil do Diabo. Do comunismo. Das garras das elites transnacional. Da turma do George Soros, Bill Gates, Hilary Clinton. Ou da turma latina do Fidel, Lula e Hugo Chávez.
Enquanto o eleitor acreditar no enredo, sempre haverá um vilão. Nunca há vácuo. Uma realidade oculta que não é percebida pela massa ignorante, e que somente seu pequeno grupo de esclarecidos tem a compreensão.
Isso dá medo. No voto, nós tendemos a sucumbir a qualquer oportunista que se ofereça como salvação. Esse maniqueísmo político é agravado pelo fato que culturalmente somos um país religioso. Assim, temos tendência de projetar o a dualidade religiosa bem contra mal no campo político. Passamos a crer que esquerda e direita é a luta entre Luz contra trevas e assim ficamos a mercê de todo tipo de picareta.
Nas eleições ficamos raivosos porque políticos habilidosos contam historinhas sobre vilões e heróis, e em troca os mais hábeis na narrativa ganharão votos.
Deveria ser do espanto de todos que na época em que temos mais condições de dialogar em sociedade a discussão política é feita através de memes, piadas e correntes de fake news. Mas não é espanto. O homem está tão atordoado na busca por dopamina, endorfina e o que quer que seja, em diversões de Tik Toks, Instagrans e afins que não percebe o óbvio.
Em decorrência disso, na plena época da informação, ainda continuaremos elegendo a trupe dos palhaços Tiriricas do eterno Congresso do “pior que tá não fica”.
É por isso que o PMDB merece glórias. É podre, mas abstem-se de fingir não ser. É o partido que não disfarça a sanha de parasitar o sofrido povo brasileiro.
Desde a ditadura reunindo a elite política e econômica, num jogo de troca favores financiada pelo orçamento do Estado brasileiro.
Carrasco dos miseráveis, o governo é historicamente a Madre Teresa de Calcutá de seus bilionários. Eike Batista, JBS Friboi e Irmãos Marinho que o digam. Metacapitalismo ou capitalismo de compadrio. É uma associação entre forças empresariais, bancos e poder público com objetivo de espoliar o povo em benefício próprio de uma elite de sanguessugas, sejam “empresários” ou políticos.
Quer ver traços dessa relação promíscua? Comece estudando quem são grandes financiadores das campanha política no Brasil.
O PMDB não disfarça o blefe. E, francamente, merece reconhecimento por isso. É o retrato, sem maquiagem, do Brasil.
A má notícia é que o PMDB está em declínio. Virou MDB e sucumbiu a uma praga pior ainda. Uma praga transpartidária, mais orgânica e eficiente: o Centrão e seus exército de picaretas.
Talvez por isso o povo brasileiro seja tão religioso: só Deus para salvar.

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