
Que coisa fantástica. Elon Musk, o guerreiro branco- africano, maior QI que a humanidade já viu, acha tempo na administração de suas infinitas empresas para salvar o planeta.
Elon Musk, o novo Messias do capitalismo do novo milênio detêm algumas façanhas:
- Boring Company, faz lança chamas;
- Tesla, Starlink e neuralink. Carros elétricos, internet por satélite e implante cerebral;
- Doze filhos com quatro mulheres (e com informações ainda não confirmadas de uma 13° criança);
- Se declarava o 19 melhor jogador de diabo do planeta.
O cara é fera. Um Deus vivo do capitalismo que prega que o dinheiro se acumula na mão dos mais aptos. E assim é melhor utilizado em benefício da própria humanidade se fluir e se acumular livremente. Mas há um porém, ou melhor, um vilão. O Estado, essa entidade inconveniente, corrupta e maligna, é um empecilho pra que ocorra essa magia. O Estado interrompe esse processo milagroso.
Sendo assim, Elon Musk resolveu agir.
Enquanto não estava jogando vídeo game, comandando uma empresa, ou engravidando alguém, esse nobre guerreiro achou tempo para ser braço direito de Donald Trump presidente dos Estados Unidos. A Águia norte americana se junta ao leão africano.
Musk ficou tão feliz que deu benção para seus apoiadores. Esquerdistas disseram que era saudação nazista. Direitistas logo explicaram que na verdade era saudação romana, apropriada posteriormente pelo oportunista Hitler. Ufa! Então está tudo bem.

Milei, o caricato presidente argentino, cabe bem nesse palanque. Primeiro, divulgou a criptomoeda fraudulenta (shitcoin) $Libra em seu twitter. O resultado: 86% dos investidores perderam dinheiro, num total de US$ 250 milhões de prejuízo.
A esquerda disse que era fraude. Milei se explicou: twitou não como o presidente Milei, mas sim o Milei pessoa física capitalista libertário fanático por liberdade. Aliás, segundo ele, seu perfil no twitter nem menciona o fato de ser presidente. Ufa! Então tudo bem.
E cá estamos. Vendo o show da internet. Motosserras, bravatas como Trump dizendo que iria anexar o Canadá e comprar a Groenlândia, Bolsonaro e sua obsessão por cloroquina e arminhas com a mão.
A realidade é uma só: a internet permite absolutamente TUDO. Só não permite a indiferença e esquecimento. Ou seja, existe método no show. Polêmica causa engajamento, bom senso causa indiferença. É por isso que globalmente o debate político está se incendiando. As cadeiras políticas estão sendo substituídas, saem os anciãos e entram os influencers. Vide Pablo Marçal e cadeirada do policialesco Datena.
Nas redes sociais, via de regra o debate do povo é simétrico ao bom senso desses novos líderes. Ou seja, inexistente. O que existe são duas bolhas incomunicáveis entre si. Todo esquerdista é um comunista e todo direitista é um fascista. Assim sendo, quem pensa diferente é uma ameaça.
Bolsonaro e Lula no Brasil. Aprovação meio a meio. Trump e sua reprovação de 51%. Meio a meio. Ninguém arreda o pé ou se convence a trocar os votos.

No clássico 1984, George Orwell conta que havia um só governo mundial comandando o planeta de maneira tirânica. Condenava, prendia e matava seus inimigos. Espionava a população em massa. E lavava as mentes em massa com sua propaganda patriótica. Interessante é que embora o governo fosse só um, haviam três super continentes. O alto comando do Big Brother percebeu que a melhor forma de comandar o rebanho de humanos é pelo medo.
Então os três super continentes sempre estavam envolvidos em algum incidente entre eles:
- A contra B e C;
- A contra B, e C neutro;
- A contra C, e B neutro;
- A neutro, B e C em guerra;
- B contra C e A;
- B neutro, A contra C.
George Orwell, pseudônimo do matemático inglês Eric Arthur Blair, sabia que a análise combinatória de 3 seria suficiente pra deixar o gado populacional atordoado. O Big Brother percebeu que não precisava tornar as coisas mais complexas que isso. Basta 3! = 3x2x1 pra dominar o povo. Seis variáveis já são suficientes pra dar impressão ao eleitor cidadão que ele tem alguma alternativa.
Se votar fizesse alguma diferença eles não nos deixariam fazer isso.” – atribuída ao escritor Mark Twain
A melhor maneira para manter alguém prisioneiro é tendo certeza que ele nunca saiba que está na prisão.” — Fiodor Dostoievski.
O Estado de 1984 era totalitário, mas disfarçava-se de três países independentes brigando e amigando alternativamente entre eles. Parte do truque da tirania perfeita é fingir que há poder escolha. Sendo assim as pessoas sempre vão se revoltar com o que não fará diferença, uma Direita e Esquerda que na verdade são comunistas contra fascistas, numa luta que se ganha através de votos dos eleitores com promessas de protegê-los uns dos outros. E a gente cai, como patos.
Política é a arte de conseguir o voto dos pobres e o dinheiro dos ricos, prometendo protegê-los uns dos outros.”Oscar Ameringer.
E pra quem foge da bolha da estratégia das tesouras, um aparato de intimidação e espionagem geralmente dão conta.
Edward Snowden denunciou como o National Security Agency norte americano grampeava o planeta em massa. Em 1984 havia a super tela uma tv que o cidadão olhava e assistia COMPULSÓRIAMENTE propaganda política, ao estilo de a hora do Brasil. Mas havia um porém. A super tela te via tv. Ela te gravava e o governo monitorava sua reação para saber como você reage a propaganda. Descrença e raiva? Perigo. Cara de empolgado pelo show, coloca na lista não ameaças. 1984 foi escrito em 1949. Sabe o que é interessante? Orwell acertou em cheio. Setenta anos depois, a CIA norte americana invadiu smartphones e computadores e desenvolveu um programa chamado Weeping Angel capaz de invadir smartTVs como a Samsung F800, transformando-as em microfones mesmo quando elas parecem estar desligadas.
É por isso que um livro se torna clássico. Ele carrega consigo uma verdade que não se perde no tempo. É como se guardasse uma verdade humana imutável. A , B e C lutando e se harmonizando entre si. Veja a política global com Rússia, Ucrânia, Europa, EUA, Israel. Aliados, inimigos e indiferentes entre si conforme o oportuno momento. À disposição deles, um arsenal nuclear pronto para destruir várias vezes a Terra. O medo tem de ser uma constante.
Mas não há nada que se preocupar. Finalmente entramos no eixo correto. Elon Musk, o Jesus Cristo do dinheiro, vai nos salvar. Aliás, já rezou por ele hoje?


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