Política

90 segundos: Estuprador como aliado, a mais podre história da Lava Jato

Carregando um grampo escondido, Sérgio Machado delator da operação Lava Jato, vai à casa do Coronel do Maranhão, o ex-presidente José Sarney.

Enquanto estava lá, chega um aliado de Sarney, deputado Chiquinho Escórcio (PMDB-MA) trazendo um recado:

“Eu trouxe um assunto aí que é político lá do Maranhão. Ribamar Alves está preso. Mandou (…) lhe procurar. Quer sentar no seu colo e pedir perdão (…)”, afirmou o ex-deputado.

Ribamar era prefeito da cidade maranhense de Santa Inês. Tinha 70 anos e tinha sido preso um mês antes pelo estupro de uma jovem missionária religiosa de 18 anos. Ele estava no presídio de Pedrinhas (MA), famoso nacionalmente pelas rebeliões e massacres ao ponto do então deputado Jair Bolsonaro dizer: Única coisa boa do Maranhão é o presídio de Pedrinhas.

Chiquinho prossegue na conversa Sarney:

“Eu já tenho a saída toda pontilhada. Quem são os nossos amigos e tal. Temos um voto [a favor] e um voto contra. Está faltando um voto. Vou almoçar agora com o desembargador. (…) acho até que é interessante politicamente porque nós podemos ter aquela prefeitura na mão”, afirmou.

José Sarney abutre político dá seu parecer “O que eu puder ajudar, eu ajudo”, disse o ex-presidente e completa: “Posso fazer aceno… Uma hora que você vier aí, você vem com ele.”

Animado com a conversa Chiquinho se despede de Sarney, dizendo que estava indo almoçar com o terceiro desembargador: “Um beijão no coração”.

Dois dias depois dessa conversa, Ribamar Alves foi solto e passou a cumprir pena alternativa em substituição à prisão. A decisão judicial foi de 2 votos contra 1.

José Sarney, ex-presidente e dono de metade do Maranhão. É bem provável que você, assim como eu, tenha repulsa dele. Mas não podemos negar o óbvio: no jogo podre da política, ele é sucesso absoluto. Abutre político, que mesmo aos 90 anos não desenvolveu nenhum senso ético que superasse a canalhice absoluta de se aliar a presidiário estuprador, se isso fosse vantajoso politicamente para ele. Como já foi dito aqui: o paradigma político brasileiro vem do Maranhão.

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