O que a estratégia das tesouras?
Em 30 de dezembro de 1961, um relatório do Comitê de Atividades Antiamericanas, intitulado “The New Role of National Legislative Bodies in the Communist Conspiracy”, continha dois capítulos cruciais de um livro contrabandeado da Checoslováquia. Escrito por um funcionário do Partido Comunista do país, o livro descrevia o método dialético usado para tomar o poder na Checoslováquia. Comunistas eram infiltrados em posições-chave no governo da Checoslováquia, enquanto se organizava simultaneamente manifestações de rua contra esse governo. Esses dois ramos da dialética, fingindo lutar entre si, geravam bastante confusão entre o público em geral de forma que toda a oposição genuína foi neutralizada. O livro usado os termos cunhados por V.I. Lenin, o primeiro ditador da União Soviética, referindo-se a tese e antítese como “pressão de cima” e “pressão de baixo.”
Segundo o ex-oficial da KGB Anatoliy Golitsyn, o termo oficial para a dialética é a “estratégia de tesoura”, em que as lâminas representam os dois lados opostos falsamente que convergem para as vítimas confusas. Essa estratégia consiste em criar uma falsa disputa, onde a suposta briga entre dois partidos polariza o eleitorado. Ou seja, é oferecer uma coisa só, mas com a aparência de que há alternativa.
Na ditadura militar brasileira houve a oposição consentida. Em 27 de outubro de 1965, com a edição do Ato Institucional Número Dois houve a criação de um sistema bipartidário onde o governo seria representado pela Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e a oposição caberia ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Nos EUA, onde há séculos os partidos democratas e republicanos dividem o poder, o presidente John Kennedy discursou de forma enigmática:
(…) A palavra “segredo” é repugnante numa sociedade aberta e livre, e nós como povo somos intrinsecamente e historicamente contra as sociedades secretas, juramentos secretos e procedimentos secretos. Decidimos há muito que os perigos do excessivo e injustificado encobrimento de fatos relevantes é mais grave do que os perigos que são citados para o justificar. (…) Porque estamos confrontados em todo o mundo por uma conspiração monolítica e cruel que se apoia principalmente em ações encobertas para expandir a sua esfera de influência, em infiltração em vez de invasão, em subversão em vez de eleições, em intimidação em vez da livre escolha, em guerrilha a coberto da noite em vez de exércitos à luz do dia. (link discurso completo)
Parece que o alerta do presidente assassinado não foi ouvido. Durante a eleição presidencial de 2004, disputada por George W. Bush e John Kerry, ambos confirmaram que participavam da mesma organização secreta, a Skull and Bones:
Mais recente no Brasil é a polarização PT-PSDB. Com um componente extra, o PMDB, que se define de centro, o que significa na prática que independente de quem ganhar ele estará fazendo alianças por poder e cargos públicos.

Na campanha eleitoral de 2014, algumas das maiores doações empresariais recebidas por Dilma Rousseff (PT) vieram de Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão. Já Aécio Neves (PSDB) recebeu doações das empresas Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, OAS, Odebrecht e Queiroz Galvão.

Ou seja, as mesmas empresas financiando os dois lados da eleição. Independente de quem ganhar, eles levam. Enéas Carneiro já sabia faz tempo: PT x PSDB são duas faces da mesma moeda.
Se o governo petista é tão de esquerda, por que manteve uma política de distribuição, via BNDES, de bilhões a poucas pessoas, como Eike Batista e o grupo Friboi (5)? Que tipo de igualdade socialista queriam construir financiando bilionários?
Por outro lado, se PSDB é tão direitista por qual motivo permitiu que na privatização da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), maior siderúrgica da América Latina, dos R$ 1,05 bilhão pagos, R$ 1 bilhão fosse formado por moedas podres, de modo que nos cofres públicos só ingressaram R$ 38 milhões, num estranhíssimo caso onde o vendedor paga para o comprador comprar? Isso é liberalismo econômico? (fonte: A privataria tucana, por Amaury Ribeiro Jr.)
Ideologias podem ser pretextos para manipular massas: é o dividir para conquistar. Será que o problema político nacional é ideológico ou será que, em ambos os casos, são oportunistas em conluio para lucrarem nas custas do povo?
Oposição é o choque entre duas forças opostas. Se essa oposição é tão efetiva no Brasil, por que as mesmas empresas financiavam os partidos políticos de ambos os lados?
Onde muitos enxergam alternativas, os poucos oportunistas veem uma coisa só.
(Fonte: Nem impeachment, nem golpe. Vemos agora a declaração de falência.)

Texto muito bom!
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