“Sinto-me feliz todas as noites quando ligo a televisão para assistir ao jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse um tranqüilizante após um dia de trabalho”.
Frase do general-presidente Emilio Garrastazu Médici, nos anos 70, sobre o Jornal Nacional, da TV Globo.
A TV foi a arma utilizada pelo governo militar para alcançar a integração nacional, e ela se valeu desse poder para se desenvolver. Aliada estratégica, a Rede Globo desempenharia um papel fundamental na consolidação do regime no Brasil. Entre sua fundação em 1965 e 1982, o grupo de Roberto Marinho passou de detentor de uma única concessão de televisão, no Rio de Janeiro, à condição de quarta maior rede de TV do mundo.
Como disse Jim Morrison, quem controla a mídia, controla as mentes. Um golpe militar que suprimiu o direito de escolha de milhões de brasileiros não teria sido bem sucedido sem o apoio dos controladores da mente. E, como unha e carne, a ditadura foi ótima para a Globo, tanto é que até hoje os irmãos Marinho estão entre os 8 brasileiros mais ricos (com uma fortuna de quase R$ 42 bilhões de reais em 2017).

O apoio do monopólio nacional da TV Globo ao regime militar foi tão bem sucedido que ainda hoje há quem creia que não havia corrupção e que o Brasil era o paraíso GLOBAL descrito por Médici. Provavelmente não sabem que o oligopólio formado pelas empreiteiras-propineiras Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez se tornou gigante na Ditadura Militar (fonte), acreditando que corrupção é criação da dobradinha comunista PT-PSDB. Uma imagem vale mais que mil palavras:

Notórios corruptos, José Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf e José Maria Marin (que rouba até medalha de futebol) foram apenas alguns dos políticos da ditadura Militar. Contudo o monopólio Global mostrava (enquanto havia interesse) o regime como honesto e a censura da informação e a tortura reprimiam qualquer tentativa de demonstração do contrário. A dobradinha políticos-controle ideológico funcionava com maestria e o regime durou por 21 anos.
Um salto para o presente e hoje em dia há liberdade de informação. É cada vez mais difícil sustentar uma mentira ou sonegar uma verdade. Qualquer pessoa com um smartphone pode divulgar uma foto, vídeo, áudio ou texto que em segundos cruza o planeta e em minutos pode atingir milhões. Não há mais empresa de TV detendo o monopólio do poder de manipulação. Esse é o motivo pelo qual a política no planeta está em crise, pois políticos em conluio com mídia (seja jornal, rádio ou TV) não mais significa governabilidade. Essa estrutura ruiu.
E cá estamos, vivenciado a estrutura falida. Segundo pesquisa, o Brasil enfrenta maior crise política dos últimos 30 anos. O Brasil está tão dividido que o que definirá a eleição de 2018 não será a aprovação de um candidato, mas sim seu potencial de reprovação. Esse é o retrato de uma política atrasada, feita de maneira analógica em um mundo digital. Como no Mito de Sísifo, o brasileiro será coagido pelo voto obrigatório a levar a pedra ao topo da montanha do absurdo. Entretanto, mais do que trocar os personagens, precisamos mudar o roteiro. Enquanto isso não ocorrer, continuaremos em crise.
A Internet mudou para sempre a maneira como as pessoas conversam, fazem compras, se informam… E, certamente mudará a maneira de fazer política. É questão de tempo para que isso mude, basta que as pessoas se atentem a essa possibilidade e criem uma Democracia Digital. Ou será que aceitaremos sermos governados por isso por muito mais tempo?


A política brasileira realmente faliu, uma vergonha. Realmente precisamos de uma Democracia Digital. Boa sorte na empreitada
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