Esqueça ética e moral. Esqueça bem ou mal. Foque no jogo. Seja no xadrez, poker ou truco, um jogador não é mau por massacrar o adversário. Faz parte do jogo. A mesma coisa na política. E vicia. Os Calheiros são da mesma escola do clã Sarney, Magalhães e Collor. Dinastinas que se perpetuam no poder há décadas. Em comum, o fato de serem multimilionárias e que farão de tudo para continuar no poder.
Para ilustar, um fato. O pai de Collor, senador Alton de Mello, se envolveu em uma troca de tiros com outro senador no Congresso. Um outro senador morreu baleado. E todo mundo foi absolvido.
É óbvio que a corrupção não veio com PETÊ. Aos historiadores, sequer há um início, mas sim uma contínua sucessão de fatos. Coronelismo no nordeste é fruto da capangagem vigente nas capitanias hereditárias. Que, por sua vez, tem origem no Brasil Império. Colônia de exploração, onde o que era bom era mandado pra fora e o que não prestava ficou aqui. Assim forjou-se a sociedade brasileira. Rá.
Atribuir todas as virtudes a um dos lados e todos os defeitos ao outro é um delírio maniqueísta, comparável a cavalgada quixotesca contra moinhos de vento. Objetivamente, sequer há “a” direita ou esquerda, pois essa singularização é uma generalização grosseira que os ignorantes adotam para ofender tudo aquilo que discordam. Opinião política livre é sempre plural, sendo assim, culpar “a” esquerda ou direita é agarrar-se a um bode expiatório completamente abstrato. E para o manipulador, esse maniqueísmo é um prato cheio. Se a direita é tão pura e libertadora como pregam os picaretas da dinastia Bolsonaro, por que raios Flávio Bolsonaro pegava parte salários de seus assessores (alguns fantasmas) e se envolveu com grupos de extermínio cariocas?
– Vamos aplaudir nosso livre mercado. Nossa direita libertadora. E se você achar ruim… Cuba tá de braços abertos, comunista petralha…
Renan Calheiros, velho marujo desse oceano de estrume, ri. E não é para menos, o povo brasileiro acredita em cada babaquice.

Boa
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